NILDO CHAGAS - A vitória de Flávio Bolsonaro no último domingo (4) com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula deu ânimo ao mercado financeiro e fez o principal índice da bolsa de valores (Ibovespa) disparar 7,70% no pregão de segunda-feira (5).
Com isso, o principal índice apresentou a maior alta diária dos últimos seis anos, superando pela primeira vez na história a barreira dos 200 mil pontos e fechando o dia aos 206.912 pontos.
O bom humor do mercado estendeu-se durante a semana, renovando os recordes nominais de valorização do Ibovespa, que fechou aos 209.067 pontos e alta semanal de 8,82%.
A bolsa registrou a maior entrada diária da história com um aporte estrangeiro de mais de R$ 10 bilhões na segunda-feira (5) e na semana acumulou mais de R$ 13,7 bilhões feitos por investidores internacionais.
A entrada recorde de dólares na bolsa brasileira derrubou o preço do dólar, que fechou a semana com uma desvalorização de 4,43%, sendo cotado a R$ 4,98.
A liderança de Flávio na corrida pelo Planalto também trouxe alívio aos juros com queda de contratos futuros de DI (Depósito Interfinanceiro), que chegaram a cair mais de 1 ponto percentual no acumulado da semana.
Com a manutenção de queda em torno de 1 ponto percentual, os contratos com vencimento para os próximos 4 anos trariam uma economia para os cofres do governo de R$ 65,8 bilhões, segundo estimativas elaboradas pelo Banco Central.
Essa economia corresponde a quase 3 vezes o custo de R$ 22,7 bilhões com o reajuste do Bolsa Família de 15,04% em 2027 e também é maior do que o impacto do reajuste previsto de R$ 120 no salário mínimo, que custará R$ 54,6 bilhões no ano que vem.
OTIMISMO - As últimas pesquisas para o segundo turno reforçam a liderança de Flávio Bolsonaro, o que tem ajudado no otimismo do mercado financeiro.
A AtlasIntel aponta Flávio com 52,80% contra 47,20% de Lula, o PoderData/Aya registra 53% para o senador e 47% para o presidente e o Datafolha mostra 52,00% para o candidato do PL e 48,00% a favor do petista.
Hoje o Brasil enfrenta um cenário de inflação alta de 4,58% no acumulado dos últimos 12 meses e referência em setembro passado e o maior juro real (descontada a inflação) do mundo em torno de 8,45% ao ano.
A dívida pública apresenta um crescimento preocupante, saltando de 71,7% do PIB em dezembro de 2022 para os atuais 82,9% na gestão petista, além de o país ter uma população extremamente endividada com 51% de inadimplentes.
Sendo assim, essa euforia no mercado é consequência da expectativa da eleição de um novo presidente com um discurso alinhado à gestão passada de Bolsonaro, que conta com um congresso também alinhado e já eleito, o que permitirá a realização de reformas importantes (administrativa e uma nova tributária), além de um controle eficiente do gasto público.
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