CHICO CARLOS* - A música brasileira despediu-se, no domingo, 18 de outubro, de um de seus grandes nomes. Morreu, aos 84 anos, Benito di Paula, cantor, compositor e pianista nascido em Nova Friburgo (RJ), que construiu uma trajetória singular e conquistou milhões de admiradores com seu jeito inconfundível de fazer samba.
Batizado Uday Vellozo, Benito cresceu em uma família humilde e musical. Aprendeu as primeiras notas no violão e em outros instrumentos de corda com o próprio pai.
O piano, porém, só entrou em sua vida mais tarde, quando ganhava o sustento cantando em bares, boates, hotéis e botequins do Rio de Janeiro.
Inteligente e perspicaz, aproveitava os intervalos dos shows para estudar o instrumento por conta própria, transportando para as teclas os acordes que já dominava no violão.
Essa experiência foi fundamental para a construção de sua identidade musical. Benito desenvolveu uma linguagem própria, que ultrapassou os limites dos rótulos e das classificações convencionais.
CONSAGRAÇÃO - Enquanto parte da crítica musical e dos círculos intelectuais torcia o nariz para seu estilo, muitas vezes tratado de maneira pejorativa, o público o consagrava.
Sua música falava diretamente ao coração do povo, com melodias marcantes, arranjos envolventes e uma sonoridade que unia romantismo, balanço e simplicidade.
O resultado foi uma carreira extraordinária, marcada por milhões de discos vendidos no Brasil e no exterior.
CHARLIE - Canções como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar” e “Homem da Montanha” tornaram-se clássicos da música popular brasileira, atravessando gerações e permanecendo vivas na memória afetiva de seus admiradores.
Na década de 1970, quando a Bossa Nova já havia consolidado o piano como um dos instrumentos emblemáticos de suas harmonias sofisticadas e seus ritmos sincopados, Benito trilhou um caminho próprio.
Em vez de seguir os padrões dominantes, transformou o piano em uma extensão de sua personalidade artística, explorando uma sonoridade percussiva, harmonias expressivas, influências do blues e arranjos românticos.
ÚNICO - Benito construiu uma discografia que acompanhou diferentes momentos da música brasileira sem perder sua essência.
Sua obra também alcançou o mercado internacional, como demonstra Caprichos de la Vida, álbum gravado em espanhol e lançado em 1978, além de projetos instrumentais, registros ao vivo e coletâneas que mantiveram seus grandes sucessos em circulação.
PIANO - Sua maneira de tocar conferia ao instrumento uma força rítmica quase física. O piano não era apenas um acompanhamento: assumia o protagonismo, dialogava com a voz e conduzia o samba com personalidade.
As melodias diretas, apoiadas em harmonias acessíveis e marcantes, criavam uma comunicação imediata com o público.
Essa combinação de piano percussivo, voz característica, melodias populares e arranjos de forte apelo emocional tornou-se sua assinatura.
Benito ajudou a ampliar o espaço do piano no samba e demonstrou que a sofisticação musical não depende de complexidade excessiva. Sua arte provou que simplicidade, criatividade e autenticidade podem caminhar juntas e alcançar multidões.
Mais do que um artista de grandes sucessos comerciais, Benito di Paula foi responsável por consolidar uma identidade musical própria, reconhecida de imediato nos primeiros acordes.
PERSONALIDADE - Sua trajetória também evidenciou a distância que pode existir entre os julgamentos de parte da crítica e a resposta espontânea do público.
Enquanto alguns questionavam seu estilo, milhões de pessoas cantavam suas músicas, transformando-as em trilha sonora de encontros, amores, saudades e celebrações.
Benito partiu, mas deixou uma obra que continuará pulsando na história da música popular brasileira. Seu piano, seu jeito particular de interpretar o samba e suas canções inesquecíveis permanecerão vivos nos corações e nas mentes de todos aqueles que encontraram em sua música emoção, alegria e identidade.
Obrigado, Benito di Paula, pelas belas canções e pelos sambas ao piano que jamais serão esquecidos. O eterno sambeiro-pianeiro deixa o palco, mas sua música continuará tocando para sempre. Descanse em paz!
*Chico Carlos é jornalista, escritor e crítico de música.
POTÊNCIA TV NOVA CONQUISTA PLACA DE PRATA DO YOUTUBE
VIDA BREVE MORRE AOS 26 ANOS A EX-RAINHA DA FESTA DO PEÃO
BEAT LOCAL BANDA GERAÇÃO MANGUE CELEBRA 30 ANOS DE RESISTÊNCIA
TRADIÇÃO GLOBO ACERTA COM PROGRAMA SOM DO SÃO JOÃO GERAÇÕES
ESTATUETA NÃO DEU PARA “O AGENTE SECRETO” NO OSCAR - VEJA LISTA DE VENCEDORES
LUTO MORRE FILHA DO CANTOR AMADO BATISTA AOS 46 ANOS Mín. 26° Máx. 31°
Mín. 25° Máx. 30°
Chuvas esparsasMín. 25° Máx. 28°
Chuvas esparsas
StarPop BENITO DI PAULA: Do samba ao piano e a genialidade de um artista que conquistou o Brasil
Observatório de Olinda LAMBANÇA DA FEDERAÇÃO PERNAMBUCANA DE FUTEBOL NA REINAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO GRITO DA REPÚBLICA
Observatório do Recife JOÃO E VICTOR PROMOVEM ATO PRÓ LULA NO RECIFE
Observatório da Criança e do Adolescente BEBÊ DE TRÊS SEMANAS É MORTO COM GOLPES DE FACA PELOS PAIS